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Na visão de quase 80% dos CIOs entrevistados pelo estudo “Antes da TI, a Estratégia”, tema será o principal marco de transformação dos negócios e do departamento em um futuro que já chegou
Apontada como uma das tendências de maior impacto para os negócios – e para a TI – nos próximos anos, a mobilidade está no topo da agenda dos CIOs, de acordo com o estudo Antes da TI, a Estratégia. Não é por acaso. A venda de tablets, por exemplo, só no ano passado cresceu 171% e chegou a 3,1 milhões de unidades, segundo os dados da IDC, cuja expectativa é de que até o fim de 2013 sejam comercializadas 5,9 milhões de unidades. Com 1,3 milhão de equipamentos vendidos no primeiro trimestre do ano, os esses dispositivos ficaram com uma fatia de 27,6% do mercado de PCs, os notebooks, 39,5% e os desktops, 32,9%. O mesmo ocorre com smartphones: foram 5,4 milhões de aparelhos comercializados nos primeiros três meses e, até o fim do ano, a consultoria espera que as vendas cheguem a 28 milhões de aparelhos.
O cenário sustenta o interesse dos executivos de TI. Os resultados da pesquisa referentes ao grupo das 500 maiores empresas mostra que a mobilidade é a tecnologia mais impactante para 78,2% dos entrevistados, 30 pontos percentuais acima do segundo item, automação operacional, indicada por 48% dos participantes, e o dobro do quesito relacionado em terceiro lugar, a computação em nuvem (39,1%). Os índices refletem a acelerada adoção dos equipamentos – em 2011, os executivos das mil maiores empresas do País colocavam a mobilidade em quarto lugar entre as prioridades de investimentos nos dois anos seguintes, atrás de segurança da informação (72%), aplicações web (63%) e virtualização (57%) – o item que une smartphones e tablets foi relegado a um oitavo posto, atraindo o interesse de 43,48% dos executivos.

Para Paulo Henrique Farroco, diretor de TI da Riachuelo, rede de lojas do grupo Guararapes, a motivação para o interesse dos especialistas tem vários aspectos – até o social. “É uma tecnologia intrínseca à geração de consumidores mais jovens, usada como ferramenta constante de trabalho, lazer e socialização. Quase uma extensão do corpo”, pondera. Para o varejo, segundo ele, passou a ser uma das etapas do processo de compra multicanal e hoje se tornou um viabilizador do negócio.

Segundo o CIO, o grupo já está desenvolvendo projetos como campanhas de incentivo para a ativação de cartões de crédito por meio de SMS com oferta de descontos enviados a portadores do plástico que estejam nas redondezas da loja. “Temos tecnologia para acelerar filas lendo código de barras, colhendo assinaturas nos equipamentos. A dificuldade é a impressão do cupom fiscal”, alega.

O público interno também está na mira. Para acelerar o processo de visual merchandising nas 182 lojas espalhadas pelo País, detalhes sobre a forma de exposição dos produtos em vitrines e paredes são transmitidos para os tablets distribuídos aos agentes, eliminando a necessidade de impressão do material ou direcionamento a um site único. Os equipamentos também são utilizados para tarefas como acesso à cadeia de venda ou estoque e, no total, foram adquiridos pouco mais de 400 iPads, diretamente da Apple, no ano passado. Para facilitar a vida do batalhão de profissionais temporários contratados em épocas de pico, como Natal, os pontos de venda foram rejuvenescidos com equipamentos touchscreen – os teclados foram eliminados em prol da familiaridade do usuário com as telas sensíveis ao toque.
A gestão, por sua vez, ganhou mais agilidade. Em abril, cerca de 250 executivos do grupo passaram a ter acesso em seus dispositivos móveis a um painel de controle que permite o aprofundamento de informações oriundas de diversas fontes e sistemas, carregadas no data warehouse. “As informações começam em um nível agregado, pelo total da empresa, e podem ser exploradas até os níveis mais detalhados, como venda por loja ou por departamento”, explica Farroco. Os dispositivos pessoais são permitidos a um grupo seleto composto por diretoria e gerentes regionais e de lojas e todo o processo de adoção da mobilidade foi precedido por investimentos pesados em virtualização, como preparação para uma nuvem privada. Para o processo todo, o executivo conta com uma equipe interna.

Na FedEx, reconhecida mundialmente por sua capacidade de disponibilizar informações detalhadas sobre o que transporta ao redor do globo, a mobilidade fornece suporte para a diferenciação competitiva principalmente no que diz respeito a rastreamento. Por meio do produto de courier batizado Powerpad, entregadores equipados com dispositivos móveis (handhelds) com capacidade de conexão atualizam a qualquer momento as informações referentes às entregas, como localização e etapa do processo, além de se prestar também a coletar as assinaturas necessárias para comprovação do serviço por meio de tela sensível à escrita.

A questão é que, no ano passado, a empresa adquiriu no Brasil a Rapidão Cometa, empresa nacional com mais de nove mil funcionários que vai dar enorme impulso ao serviço doméstico da norte-americana. Para driblar desafios como o custo mais elevado da solução mundial, e endereçar especificidades dos serviços da FedEx no mercado brasileiro, a empresa busca parceiros para o desenvolvimento de uma solução que permita a utilização da rede de operadoras telefônicas pelo País afora.

“Estamos em fase de testes com fornecedores”, adianta Carlos Menezes, diretor de TI da FedEx Express para América Latina e Caribe. Outro desafio para a empresa no Brasil é driblar a cobertura das operadoras. “Precisamos de conexões confiáveis para locais remotos e será necessário estabelecer níveis de serviços”, adianta. Ele lembra que, além do rastreamento de informações, há necessidade do rastreamento de veículos e cargas, para melhorar o nível de gerenciamento de riscos. “Também temos projetos de mobilidade envolvendo a melhoria do atendimento a clientes e trabalho remoto.”

“A mobilidade deixou de ser uma tendência para ser a realidade atual. Vai influenciar a produtividade dos funcionários, a cadeia de valor da empresa e o comportamento de clientes e parceiros”, resume o CIO da General Motors, Mauro Pinto. A fabricante tem investido mundialmente na eletrônica embarcada nos veículos e no ano passado lançou por aqui o Onix, da Chevrolet, com o sistema de Infotainment (informação e entretenimento) MyLink, que permite acesso a todo o conteúdo disponível no equipamento móvel e realiza ligações telefônicas via bluetooth. “Estamos pensando em trazer também para o Brasil o sistema OnStar”, adiantou o executivo sobre a tecnologia telemática lançada em 1996 nos Estados Unidos, que soma recursos como segurança, comunicação e entretenimento.

Além de inovações nos produtos, a mobilidade também apoia os processos da companhia. Na área de vendas, os cerca de 80 representantes no ano passado foram equipados com verdadeiros escritórios virtuais, criados a partir de um enorme aparato de informações acessado por dispositivos móveis. “A cada visita a concessionárias ou clientes, o profissional tem todas as informações necessárias com dados online em tempo real”, diz Mauro Pinto. “Estamos eliminando os escritórios físicos na maioria dos Estados.”

Todo o desenvolvimento de soluções necessárias, como os aplicativos que permitam o acesso aos bancos de dados via dispositivos móveis, foi realizado internamente – no início deste ano, a empresa promoveu o insourcing de toda a área de TI. Outro projeto em curso na montadora é a integração entre o sistema WebEx, telefonia IP e telefone móvel, para cerca de 200 a 300 usuários poderem acompanhar reuniões a distância, inclusive com visualização das apresentações que estejam sendo feitas.

Fonte: http://crn.itweb.com.br/47563/mobilidade-e-tema-principal-de-investimentos-dos-cios-afirma-estudo/


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